xaminando-se na ciência da observação, constata-se no imo d’alma o desalinho de uma parcela dos irmãos de caminhada em trânsito pelas veredas da existência das provas e expiações, que não se permitem as prerrogativas de uma análise das realidades existenciais das circunstâncias a que todas as criaturas estão sujeitas, de sorte a aprofundarem o bisturi do conhecimento sobre o tema em apreço, emulando-se na análise do objetivo e o sentido da vida, sempre bela, colorida e consentida.
Sob essa reflexão, é oportuno asseverar-se que uma das dificuldades para a valoração da vida, quando se submetem os viandantes às provas que elegeram diante das facilidades que oferecem as portas largas das provas e expiações, no exercício do livre arbítrio, transitando pelo lado escuro da existência, se encontra na ausência do sentido que dê valoração e colorido à vida. Nada obstante, ainda que haja transeuntes desatentos nas provas, é oportuno se filiar a Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, pai da psicologia analítica, que imortalizou o sentimento de que a criatura humana, quando viaja para dentro de si, desperta, e quando transita para fora, sonha o ser imortal, com projetos místicos, mirabolantes, fantasiosos e toda sorte de utopia.
Oh! Sim. Apesar dos pesares, ao viajarem para dentro, despertam, descobrem os seus motivos de serem filhos do Eterno e a sua razão de ser, o sentido da vida e o seu destino como criatura em construção para alcançar os páramos celestiais. Nesse sentir, observa-se que um dos crimes violentos que se comete contra as Leis Divinas expressa-se no suicídio, que ocorre no anoitecer da existência, e outros ainda jovens, dotados de beleza física, com origem em famílias bem estruturadas financeiramente, ilustrando-se nas melhores universidades da existência, olvidando os valores d’alma retirando o que não lhe pertence, mas ao Criador.
A vida não é propriedade daquele que a recebeu da Potestade, na qualidade de depositário das provas a que se comprometeu no pretérito na pátria espiritual. Nessa realidade, nada justifica o desatento pôr termo à vida bela, colorida e consentida, no veículo destinado à elevação do espírito.
Oh! Meu Deus. Como alguns filhos de tua Providência Divina, podem se arvorar, imaginando poderem retirar aquilo que não é sua propriedade. É um crime porque o sofrimento virá na de causa e efeito pelas leis divinas, Senhor da Inteligência Suprema, Causa Primária de Todas as Coisas. Que responda a consciência do Justo. A valoração da vida, com o seu sentido nobilíssimo, merece um apólogo desse proceder entibiado; trata-se de criaturas possuidoras de todos os recursos materiais, para dizer na linguagem coloquial, que não se aproveitam das oportunidades concedidas pelo Senhor da Vida para serem felizes.
Há que valorizar a oportunidade da reencarnação, pondo em seus corações o suave perfume do Divino Jardineiro, na celebração e na homenagem à vida, conscientes de que Ele é o caminho, a verdade e a vida que leva aos esplendores celestes. Nada obstante, não é incomum essas criaturas buscarem a morte voluntária, surpreendendo os que se esforçam para terem puros os corações, como ensinou o Homem de Nazaré, ao constatarem as estatísticas, verbi e gratia, uma das causas mais frequentes de morte, o suicídio, provocado por criaturas em desalinho, ao elegerrm viver sem sentido religioso o exercício da fé, e sem estimular-se na prece poema de São Francisco de Assis que concita aos corações amorosos ao “dando que se recebe”.
Com fulcro nesse sentimento, há na redação espírita, onde também se dessedenta essa retórica, um relato humanista no capítulo “O ser humano que sofre”, no livro “O que não está escrito nos meus livros”, de Viktor E. Frankl” da editora É Realizações, psiquiatra vienense, autêntico exemplo de vida e sentido para a existência daqueles que se deixam levar pelo desânimo, inconformismo e desesperança da vida. Viktor Frankl, que em uma de suas conferências, contou que, certa feita, foi acordado pelo telefone, às três horas da manhã. Do outro lado da linha, uma mulher dizia que acabara de tomar a decisão de se suicidar. Ela estava curiosa para saber a opinião dele.
Foi calmamente que o psiquiatra lhe disse que sempre existe alguém para se falar contra o suicídio. Durante um longo tempo, eles discutiram todos os prós e contras. Por fim, Viktor conseguiu que ela prometesse não fazer nada nas próximas horas. E pediu-lhe que fosse ao seu consultório naquela manhã, ela anuiu, e depois os corações enternecidos lograram sucesso dando chance à vida.
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a mesma fonte, o famoso psiquiatra, criador da Logoterapia, considerada a Terceira Escola Vienense de Psicoterapia, contou ainda que, certa manhã, chegou à clínica e cumprimentou um pequeno grupo de professores, psiquiatras e estudantes americanos que estavam em Viena, com o intuito de realizar algumas pesquisas. Ele lhes disse que um programa televisivo, nos Estados Unidos, que escolhera algumas pessoas e lhes pedira que resumissem numa frase o objetivo da vida. A plateia afirmou ter ele escrito que o sentido de sua vida era ajudar os outros a ver o sentido da vida. Foi exatamente o que ele respondeu com o coração enternecido.
Inegável que o sentido da vida, não se encontra apenas nesse fato humanitário, o relato que foi capaz de estabelecer a relação humana com quem estava enfraquecida momentaneamente, e mais do que isso, salvou uma vida preciosa. Da mesma sorte, essa lição no auxílio ao próximo estende-se também nos versículos 12, do cap. do Evangelho de Mateus, e no versículo 31, do Evangelho de Lucas, sendo notória a prescrição do médico dos médicos há mais de dois mil anos, do amai o vosso próximo. Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam. Tratai todos os homens como desejai que eles vos tratem. Sob o fluxo desse sentimento, se nos importarmos com nosso irmão de caminhada, encontraremos o sentido na vida porque sempre haverá uma lágrima para enxugar, um coração para consolar, alguém para agasalhar, um carinho a dar.
A esse respeito, o legado der Francisco Xavier para traçar os objetivos de nossas vidas: Crescer em intelectualidade, mas não esquecer que somos gente, rodeados de gente e que todos ansiamos muito por alguém que se importe conosco. Bem por isso, os desgostos da vida sobrevêm nas atuais condições evolutivas, porque as criaturas são propensas a fixar o coração nos fenômenos do mal, extremamente desmemoriados quanto ao bem, à feição de pessoa que preferisse morar dentro de uma nuvem obnubilada, mesmo estando à frente do sol.
Ligeiro mal-estar obscurece-nos a harmonia interior e se adota o regime de aflição que acaba por atrair moléstias graves, porque apagamos da lembrança os milhares de horas felizes que lhe antecederam o aparecimento, sem perceber que o incômodo diminuto é aviso da natureza para retomarmos posição de equilíbrio. Breve desajuste no lar interrompe a alegria, permitindo a revolta em nossos corações, instalando-se perigosos quistos de malquerença no organismo familiar, ao se olvidar o relacionamento dos tesouros da estabilidade e euforia com que somos favorecidos pelo Pai Celestial, quando se faz ouvidos moucos às realidades de que os problemas imprevistos expressam a oportunidade de consolidar o amor e a tranquilidade no instituto doméstico.
Insignificante desentendimento reponta na esfera profissional e exageramos o acontecido, lançando perturbação e incrementando a desordem ao se relegar a justa importância aos inúmeros dotes já recolhidos no campo de trabalho, na evolução do espírito em direção ao cumprimento da lei do progresso. Sem contradita, os contratempos não constituem motivo para a vida perder o sentido, mas a oportunidade para a renovação dos cometimentos da existência, assim como na natureza, a primavera deixa cair as folhas secas para nascerem outras esplendorosas em seu lugar.
Jamais em tempo algum se permita às criaturas pôr termo à sua existência, porque o mundo em que vivemos é bênção do Senhor do Universo aos seus filhos para alcançarem os páramos celestiais, é o meio e o caminho para o progresso das criaturas com destino aos esplendores celestes. Toda graça recebida se constitui sentido para a vida e motivo de alegria e satisfação, ainda que haja na estrada a ser percorrida, acúleos que necessitam serem suportados pela fé e confiança no Senhor do Universo.
Há um tributo na vida, bela, colorida e consentida que se aplica no axioma da existência aos que viajam pela nave espacial chamada Terra, que muito auxilia na meditação transcendental, estabelecendo que o "Homem que não encontra celebridade nas pequenas coisas, nas grandes não as pode encontrar". Quanta verdade há nesse enunciado. Um dos caminhos que percorre o ser humano no aprendizado das lições da vida, é imaginar que não se deve realizar uma pequena tarefa judiciosamente sem o esforço necessário.
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or conta desse pensamento em desalinho, quando a tarefa se apresenta de pequena monta, deixamos de lado, senão realizamos a tarefa de qualquer jeito, sem o zelo que requer as obrigações. Nesse sentido, o acerto do preceito em exame. O homem que não é capaz de realizar um simples trabalho bem feito, quando a vida lhe apresentar um teste maior, certamente fracassará. As pequenas coisas têm a dimensão de seu valor. Um grande edifício começa pela primeira pedra, e se as tarefas não estiverem bem estruturadas, poderá ruir toda a edificação.
Bem por isso, se exige o dever de bem proceder, tanto nas pequenas coisas como nas grandes realizações. Nesse sentir, muitas vezes se decepciona com um amigo a quem se devotou a mais irrestrita confiança, mas nem por isso se deve perder a fé nos companheiros de viagem. É oportuno recordar que cada um dos filhos de Deus se encontra em um estágio evolutivo espiritual, e, mais cedo ou mais tarde todas as criaturas encontrarão seu tempo de florir aos olhos do Eterno, descortinando os altiplanos celestiais, destino dos filhos da Potestade.
É fato inconteste que certas situações, criadas pelo ser humano, deixam uma brisa de pessimismo no rumo dos acontecimentos; são circunstâncias aziagas das más escolhas no exercício do livre arbítrio, optando pela prática do furto, do roubo, da trapaça, da mentira, da insinceridade, enfim, nos crimes de todo jaez; trata-se de valores estranhos aos conceitos da pulcritude, mas isso, em absoluto, não retira a condição da fé raciocinada, qualidade juris et de jure, nas provas e expiações dos candidatos a felicidade, mantendo firmemente a vontade de viver, transformando a lição amarga em momentos de aprendizado.
Na jornada da existência, bela, colorida e consentida, sem contradita, muitos amigos que partem na grande viagem, até mesmo “fora da hora combinada”, continuarão a ser irmãos, ligados pelos laços da fraternidade universal, e mais dias, menos dias do que imagina a rasa filosofia, os encontraremos na pátria espiritual; trata-se de ocorrência que alforria indistintamente o dever e o poder para manter o equilíbrio do corpo e do espírito, no dizer de Paulo, o apóstolo, lutando o bom combate, não importa o que haja.
A existência dos delitos noticiados pela mídia sempre horroriza e entibia os mais puros sentimentos dalma; a desarmonia no lar, os desentendimentos no ambiente de trabalho, os insucessos nos negócios, a má gestão, os desequilíbrios financeiros por conta da falta de uma exata medida nos gastos do dia a dia, coloca os viandantes em dissintonia com os projetos de crescimento, e, constituem desafios a emular-se ao longo do caminho, mas não detém a marcha de progresso, em nome da Divindade, Onipresente, Onisciente e Onipotente.
É cláusula pétrea para as criaturas da Potestade exteriorizarem o amor pela vida, fazendo a caminhada diária para que o corpo físico agradeça e responda com saúde ao gesto de preservação da vida, tanto como evitar o tabagismo, a bebida e todos os vícios que comprometem a saúde física e mental, para em seu lugar, render tributo às pequenas coisas que engrandecem o ser humano no caminho de seu progresso com destino aos altiplanos celestiais.
Decante o amor em prosa e verso. Isso engalana a vida e faz muito bem ao espírito imortal; constitui carta de alforria para derramar o seu perfume por onde passar, a fim de imitar Jesus, modelo e guia da humanidade, para que os irmãos de caminhada possam depositar o seu olhar com gratidão no seu exemplo de vida. Esse proceder também é o despertar para a realidade do espírito, todos os dias com coragem, fé e esperança, máxime porque não basta abrir os olhos; é preciso ampliar a visão e enxergar além do que se vê. Acordar com os lábios em prece, o pensamento voltado para Deus, essa será a melhor maneira de render tributo à vida.
Sim, não se esqueçam de atender continuamente ao apelo da intuição, pois ela provém do espírito, filho da Divindade e é sempre ele que inspira ao bem proceder e a cumprir a lei de Justiça, de Amor e de Caridade; enfim, são as intuições que fazem se manifestar o amor pela família, pelo trabalho e por onde se moureja, mesmo sabendo que manter a harmonia nas provas da existência é tarefa para os fortes. Com esses sentimentos, desejando votos de feliz natal em nome de Jesus de Nazaré, depositamos o ósculo do amigo fraterno para sempre.
Jaime Facioli