Elevar-se nos pensamentos e não ser agente de agressão é o ápice da ética e da moral dos filhos do Divino. Notório o comportamento da águia e do corvo. Diz a narrativa popular que há uma única ave que ousa atacar a águia. É o corvo. Ele pousa nas costas da águia persistentemente e começa a bicar o pescoço da vítima de forma implacável. A águia não revida. Não bate as asas com fúria, não gasta energia em represálias. Não tenta contra-atacar. Serena, ela toma atitude e voa mais alto. Eleva-se, e quanto mais alto ela voa, mais rarefeito se torna o ar. O corvo, incapaz de suportar a altitude, perde forças e cai. Simplesmente caiu, não porque a águia o atacou, mas porque ela se elevou.
O prólogo em apreço convida a refletir sobre o nosso comportamento na lida com os desacertos no aprendizado da vida, na área de provas e expiações, equivale dizer, nos abrolhos enfrentados nos aprendizados das escolas da existência, conscientes de que os filhos do Eterno são personalíssimos, um aprende com o outro, ouvindo e transmitindo seus conhecimentos já alcançados.
Oh! Sim. Aprendendo com a narrativa na escola da vida, as críticas injustas, as palavras duras, as atitudes maldosas, impõe-se procedimento adequado na Lei do Amor e não desperdicemos energia em discussões, ateando lenha na fogueira, aumentando as labaredas do fogo em disputas sem sentido, valendo-se da máxima que o silêncio é ouro, silencia os conflitos que roubam a paz.
O Mestre de Nazaré estabeleceu a regra de que não devemos resistir ao mal. Se alguém nos bater na face direita, cabe-nos oferecer também a outra. Isso nos diz que a verdadeira força está em não revidar, mas em elevar-se moralmente, acima das agressões. Não resistir ao mal significa vencê-lo com nobreza. Da mesma forma que a águia sobe a patamares mais elevados para se livrar do incômodo inimigo, nós outros também podemos escolher os degraus mais altos da paciência, da serenidade e do amor, permitindo que o outro fale, critique, zombe, até ataque. O silêncio é a resposta que enaltece e eleva o ofendido sobre o seu controle emocional.
Inegável que o crescimento espiritual se tornará a resposta mais eloquente, sufocando o barulho das incompreensões. Não se trata de passividade, mas de sabedoria. Revidar é fácil. Elevar-se é trabalho da alma. Responder com agressividade é instinto. Silenciar e seguir em paz é conquista do Espírito. Quantas vezes Jesus foi insultado, injuriado, caluniado? No entanto, em nenhum momento devolveu o mal que recebia.
O Divino Rabi da Galileia, diante dos desideratos, elevou-se em palavras e atitudes até o ponto mais alto do amor. Com certeza, é desafiador seguir o exemplo do Divino Galileu, mas não impossível, afinal, disse Ele que somos deuses e que podemos fazer tudo que Ele faz e muito mais podemos também realizar, certamente no tempo apropriado. Não se permita o orgulho ferido. Recorde-se, esse é o momento do ensinamento crístico valioso. Cada vez que renunciamos à resposta impulsiva, abrimos espaço para uma paz que não pode ser roubada.
Quando escolhemos o caminho da elevação, não apenas superamos os adversários, pretensos inimigos, mas inspiramos outros a imitarem o comportamento. Nossos gestos de compreensão, de perdão e de silêncio geram ondas que alcançam corações. Nesse movimento, nossa alma se fortalece e nossa luz interior brilha com mais intensidade. Dessa maneira, não desperdicemos energias preciosas com os que nos agridem, de qualquer forma.
Ora! Sim. Direcionemos nossas forças para ascender aos planos mais elevados. Os que não nos acompanharem na caminhada ascendente ficarão na retaguarda. Em verdade, não porque os enfrentamos, os atacamos, mas por causa da elevação da subida. Pois bem. Pelos caminhos da vida, um amigo invisível nos acompanha: o anjo guardião. Designado por Deus para acompanhar os passos na longa jornada pela Terra. É o Espírito que nos aconselha, auxilia e pacifica nos momentos de crise. Também em nossas vitórias, quando sorrimos felizes, ao nosso lado está o divino emissário, em silenciosa prece de gratidão a Deus.
É crível pensar nesse amigo como um irmão mais velho, um companheiro que nos dedica a amizade mais pura e desinteressada. Estar em contato com esse bom companheiro é essencial. É justo também podermos realizar esse mister pela prece, em momentos de meditação. Para escutá-lo, é preciso silenciar a mente, acalmar o tumulto interior. Assim, com a mente calma, ouviremos a voz do anjo amigo. Não será uma voz física, mas a voz interna, que ressoa apenas na alma.
Os conselhos desse amigo celeste se farão ouvir pela intuição. É que Deus não deseja que o anjo guardião faça o trabalho maior, mas sim transformar cada viajor em pessoas melhores. A tarefa de autoaprimoramento é individual, intransferível. A figura do anjo guardião é um recurso que Deus utiliza para dar arrimo, mas a tarefa é personalíssima. E esse é o resultado para que cada criatura que tenha mérito das obras e atitudes que pratica.
É o livre-arbítrio, na liberdade de escolher o bem, o belo e o amor. Deus deseja a felicidade de seus filhos, dotou-nos de força de vontade, inteligência e sensibilidade para podermos progredir intelectual e moralmente.
Se outra pessoa tomasse decisões por nós, qual seria o nosso mérito? O fogo da experiência nos engrandece: traz maturidade, compreensão, paciência. Na escola que é o mundo, somos estudantes que têm deveres a cumprir, conteúdos a aprender. Nesta escola, há outros mais adiantados, que ajudam os que estão iniciando. Oh! Sim. São os anjos guardiães. Eles não nos substituem, nem tomam as rédeas de nossa vida. Eles sugerem, aconselham, consolam. E como fazem isso? Quando falamos com eles? Fazem isso por sugestão mental e pela intuição.
Também nos aconselham quando estamos dormindo. Sim, nessa hora que nos libertamos do corpo, entramos em contato com o mundo espiritual. E nele vive nosso anjo guardião. Por isso, os Espíritos protetores são sempre mais adiantados. Em verdade, precisamos de sua sabedoria para nos orientar. São sábios, pois somente um sábio poderia respeitar o livre-arbítrio quando seu protegido faz enormes tolices e sofre por causa das irresponsabilidades. É o Espírito protetor que ouve nas horas calmas, quando aparentemente falamos para as paredes; quando lamentamos as oportunidades perdidas; quando admitimos a nossa imperfeição. Há coisas que falamos apenas para nós mesmos, não obstante, Deus as ouve. Ademais, determina ao espírito amigo que também as escute.
Nessas horas, quando a solidão nos alcança, a tristeza desaba sobre nossas cabeças e o desânimo se faz presente, o anjo da guarda nos abraça. Enlaça a nossa alma cansada, embala o nosso sono. Suas lágrimas regam nossa estrada, seus sorrisos iluminam nossos dias, porque a missão dessa alma generosa é seguir conosco e nos amar. Nesse arcabouço, os filhos do Divino são responsáveis pelo seu destino.
Desde priscas eras, os viandantes desse belíssimo planeta Terra têm conhecimento de que são as atitudes das criaturas que ocasionam o porvir, porquanto excepcionadas as linhas mestras dos compromissos assumidos na pátria espiritual para a realização das provas e das expiações em atendimento à Lei de Progresso, a ninguém será lícito alegar o “acaso” como gestor das vidas dos filhos da Potestade.
Inegavelmente, ainda que se admita a pluralidade de incontáveis religiões, o fato é que, em pleno terceiro milênio, à exceção dos agnósticos, ainda que a negação por si só já demonstre a existência da Potestade, todas as religiões vivem a convicção de que a vida continua além da vida e, por consequência, os filhos da Divindade são seres imortais. Vivem na escola da vida, apreendendo, interferindo, auxiliando ou complicando a vida dos encarnados, chamados almas, quando em verdade somos todos espíritos.
Bem por isso, bilhões de espíritos pululam à volta do orbe que habitamos e o intercâmbio dos encarnados e desencarnados é fator de progresso, fazendo parte das leis naturais que regem o Universo da Potestade. A Terra é um mundo de expiações e provas, e também escola de bendito aprendizado, hospital de tratamento e educandário das almas.
Sim. Há intensa comunicação entre os dois planos da vida, apesar de a maioria, dos “vivos” não ter consciência dessa realidade e não perceber a influência que sofrem dos seus próprios pensamentos ou dos “mortos” - segundo a questão número 459 de “O Livro dos Espíritos”. É lugar comum os profitentes da doutrina se questionarem o porquê de, no orbe, ainda predominar o mal, as doenças e as guerras assolando a humanidade terrena em dores pungentes, quando as raízes dos doestos estão nas escolhas que os homens fazem, cedendo espaço para as obsessões espirituais.
O cobrador “invisível”, denominado de obsessor, atua na invisibilidade levando o obsidiado ao desequilíbrio físico e psíquico. Muitos dos hospitais psiquiátricos na atualidade já tratam com bastante acerto o corpo e a alma para “livrar” os nossos irmãos em sofrimento das dores que padecem nas mãos dos perseguidores que não praticam a virtude do perdão incondicional, como ensinou o Divino Jardineiro no Monte Gólgota.
Anote-se que é na mente que se processa esta postura. De mente a mente. A obsessão existe não apenas do desencarnado em relação ao encarnado, como de desencarnado para desencarnado. Mais ainda: de encarnado para desencarnado e de desencarnado para encarnado. A Doutrina Espírita tem a terapia adequada para ajudar o obsidiado e o obsessor no esclarecimento que conduz à cura das enfermidades d’alma.
O lenitivo eficaz para se atingir esse mister não dispensa que se ponha em prática a virtude do perdão, como mencionado alhures. Por essas razões, diga-se, “an passant”, que a teoria do panteísmo não faz sentido ao bom senso dos que têm sede de saber, porque se trata de um único ponto de referência de onde defluiriam todos os demais. Nesse sentido, é óbvio que, quando se trata da força dos pensamentos, ou em outra dicção, a frequência vibratória, os estudiosos do assunto têm em conta outros valores.
Cada ser, cada planta, cada indivíduo, em sua natureza, é independente e personalíssimo, mas interagem em todas as coisas e com todos os seres, vivendo interligados no grande universo do Sentimento Divino.
Não por outra razão, o estudo do espiritismo informa que as energias negativas produzidas pelos nossos pensamentos geram uma onda de desconforto e uma onda escura para onde forem encaminhadas. É oportuno, sobre o tema em apreço - a energia invisível – guardadas as devidas proporções, consultar sobre a história da humanidade a respeito dessa invisibilidade das forças, seja as do pensamento, sejam as que envolvem a humanidade de forma imperceptível.
Não faz muito tempo, os cientistas “descobriram” as ondas gravitacionais, aquelas que há 100 anos Albert Einstein previa como parte da Teoria da Relatividade. Os cientistas vinham buscando, sem êxito, encontrar essas ondas consideradas fundamentais para entender as leis que regem o Universo. Por essa teoria, todos os corpos em movimento emitem essas ondas, constituindo um pilar da física moderna que transformou o entendimento do espaço, do tempo e da gravidade, meio pelo qual se entende a expansão do Universo e dos planetas, porque as ondas gravitacionais são feixes de energia que distorcem o tecido do espaço-tempo e qualquer massa pode produzir esse movimento.
Sob esse díptico, o da força poderosa dos pensamentos, a que põe em movimento o Universo para trabalhar a favor ou contra a fonte emissora dessas energias, produzirá o bem ou o mal de alguém, pois nenhum ato se isola em suas consequências. As criaturas são deuses, afirma o Homem de Nazaré, são duas poderosas antenas, vivem captando e emitindo os sinais e pensamentos. Paulo, o apóstolo, na epístola aos Coríntios, afirmou que para cada pensamento há uma nuvem de testemunhas. São, pois, incontáveis irmãos que se ligam nas vibrações, boas ou más, dependendo do estado de espírito em que se encontrem, considerando, como não poderia deixar de ser, que se vive num emaranhado de sentimentos.
É vero. O bem se expande em ondas vibracionais que cobrem distâncias imensas que não pode imaginar a vã filosofia, e o mal se propaga com a mesma intensidade com que é praticado. Nesses considerandos, jamais seria lícito se olvidar os acontecimentos em qualquer lugar nesse mundo de Deus, fique isento de alcançar as demais criaturas onde se encontre, razão justa para se assimilar a lição de Jesus de Nazaré para fazer brilhar a luz dos filhos da Consciência Cósmica.
Na questão nº 88 de “O Livro dos Espíritos”, esclarece-se à saciedade que os espíritos podem ser uma chama, um clarão ou uma centelha etérea; e na segunda parte diz o benfeitor da humanidade, o Espírito da Verdade, que o espírito em sua cor vai do escuro ao brilho de um rubi, segundo seja o espírito mais ou menos puro. Que brilhe a vossa luz, dizia o Rabi da Galileia e, por consequência, se os homens se transformarem num foco de luz, haverá de extinguir a sombra em torno da humanidade, e a paz virá fazer morada nos corações bem-aventurados, tal qual esclarecem os venerandos espíritos para o mundo à frente, o mundo de regeneração onde o mau perderá seu reinado.
A verdade, sem contradita, é que o reflexo de tudo que atinge os homens em trânsito por esse planeta combina com a natureza dos sentimentos das criaturas como parte integrante do Universo. O bom senso que orienta os filhos do Senhor da Vida bem sabe que quem não oferece sintonia para o mal não entra na frequência vibratória da desarmonia. Não por outra razão, o conceito de vibrações no terreno do espírito se dá por oscilações ou ondas mentais, que importa observar ao exteriorizar constantemente semelhantes energias, pois desse fator decorre a importância das ideias que se alimenta todos os dias, todas as horas e todos os minutos da existência estuante.
Em síntese apertada, oxalá os homens em provas e expiações, sintonizem-se com pensamentos nobres, busquem a serenidade nos contatos das provas da vida no dia a dia e hora a hora, com o objetivo de mobilizar as forças poderosas dos pensamentos, gerando a energia que clarifica e ilumina o planeta, saneando a atmosfera para preparar os candidatos à felicidade para o mundo de Regeneração que aguarda os filhos da Consciência Cósmica em breve porvir.
Ponto finalizando, envolvidos nesses sentimentos d’alma, segue o depositado em seus corações, com a oblata da fraternidade, com votos de muita paz, com muita paz em nome do Homem de Nazaré, nosso amigo incondicional de todas as nossas existências.
Do amigo fraterno de sempre.
Jaime Facioli.