Na jornada das provas e expiações, há uma festividade de “arromba” em que o povoléu, com honrosas exceções e sem crítica acerba da pena, os carnavalescos, festejam até o sol raiar. São os bailes carnavalescos e desfiles de escolas de samba, acontecimentos de todos os anos sob o pretexto de comemorarem a data magna do que teria sido o do aniversariante, o “homem incomparável” – segundo o filósofo francês Ernesto Renan, é certo que o Divino Jardineiro teria ocorrido em meados de mês e abril, o natalício no calendário grego romano em razão do dia mais longo do ano.
A questão parece assustadora se não lhe damos atenção, razão pela qual, quando o fato ocorre em nosso arraial, a sensação que se tem é que os acontecimentos estão se passando com o nosso vizinho e não nos diz respeito. No outro polo, muitos dos que jornadeiam pelo planeta de provas e expiações já estão conscientes de que a vida continua após a vida. Por essa razão, vez que outra, quando as oportunidades se fazem presentes, conseguem manter um diálogo esclarecedor sobre esse momento que ocorrerá não somente no nosso vizinho, mas também na nossa casa.
Há um contingente superior a 4.000 religiões espalhadas por esse mundo de Deus que acredita na vida além da vida. Divergem certamente sobre o destino da alma após a encarnação, sobre o céu e o tal do inferno que em verdade não existe. Mas, a grande verdade é que mantém a esperança de que após a grande viagem existe a vida, no mundo de onde procedemos.
Não há como negar, ao se examinar a questão número quatro da Promessa do Cristo de Deus, quando o paracleto indaga dos imortais, onde se pode encontrar a prova da existência de Deus, a resposta imbatível declara: “Num axioma que aplicais às vossas ciências: Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.”
Neste arrazoado, o esclarecimento dos venerandos espíritos: “para se crer em Deus, basta lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe; ele tem, pois, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e adiantar que o nada pôde fazer alguma coisa.” Crendo na promessa do Divino Jardineiro de que não nos deixaria órfãos, fácil se torna entender sob os ditames da questão número 133 de “O livro dos Espíritos”, que fomos criados pelo Senhor do Universo simples e ignorantes.
Sendo assim, mais cedo do que imaginamos, voltaremos à pátria espiritual de onde procedemos, realizando a grande viagem de retorno, levando na nossa bagagem apenas aquilo que plantamos nessa existência, cuja reencarnação é bela, colorida e consentida. Nesse sentir, não há razão plausível para temermos o momento do retorno à casa do Pai Celestial. É verdade que será preciso coragem para apresentar as contas de nossos atos, de nossos procedimentos realizados na viagem de resgate que fizemos, colher os frutos do que plantamos na nossa jornada e dar contas de despenseiro fiel dos bens e das dádivas que nos foram confiadas para o bem de nossos irmãos em desalinho.
Sob outra dicção: O que realizamos na prática com a Lei de Amor, de Justiça e de Caridade que o Cristo de Deus ensinou para a pacificação de nossas almas? Por essa razão, seria de bom alvitre podermos todos, no momento de nossa despedida, parodiar o nosso querido Chico Xavier e dizer:
“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero e, se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus. Aí, então, derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui Ele nos preparou.
Se você já aprendeu essas lições, então ore para que vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu. "Ser seu amigo... já é um pedaço dele!" - Chico Xavier -
Ora, sim. Sob o arrimo das caminhadas da existência, expressando na pena tanto como nas provas como nos exames a que se submetem os candidatos à felicidade espelhada nessas considerações, após as alforrias dos folguedos na maioria sem as medidas de bom senso e temporada ansiedade, é necessário inspirar fundo, fechar os olhos, expirar sem sofreguidão e sem pressa.
Você é capaz de meditar no presente passado, ainda que poucos consigam. A mente e o coração andam agitados demais e, se o corpo não respirasse sozinho, teríamos dificuldade até para inspirar e expirar. Andamos sobrecarregados emocionalmente. Incertezas, preocupações, medos – são tantos os nomes que aprendemos a dar. O mundo nos exige muito: competição desenfreada, satisfações a todos, padrões que mudam toda hora. Por isso, a raiva surge sem ser convidada e com frequência incômoda. A impaciência está presente quase sempre.
O mau humor parece que veio para ficar. Tudo incomoda. Difícil tolerar as pequenas coisas, as pequenas adversidades, os pequenos tropeços dos outros e também os nossos. Difícil agradar. Difícil estar sempre bem. Difícil atender às expectativas. Alguns pedem ajuda. Resolvemos fazer terapia, tratamentos mais profundos, buscando alguém que nos ensine a nos conhecer e a desacelerar. Muitas vezes só estamos toleráveis para nós e para os que vivem ao nosso redor graças à medicação. Vivemos a era dos medicamentos que atuam no reequilíbrio das emoções, auxiliando a reorganizar a mente que se perdeu de uma forma preocupante.
Como conquistar o equilíbrio senão com uma reanálise da existência e verdadeiros propósitos capazes de organizar o Espírito em agonia? Recordar que somos Espíritos numa experiência temporária no corpo. Assim, os ideais espiritualistas, o conhecimento da sobrevivência à morte física, tranquilizam o homem, fazendo com que considere a transitoriedade do corpo e a perenidade da vida.
Buscar aplicar o tempo na aquisição de recursos imortais, de tudo aquilo que levaremos conosco, que nos propicie beleza da alma, que nos traga paz e perfeição. Guardar, disciplinadamente, intervalos para a meditação diária, mesmo com dificuldade nos primeiros momentos desse exercício. Ter a oração como higiene espiritual indispensável, várias vezes ao dia. Alimentar-se de conteúdos enriquecedores na área da cultura, das artes, dos estudos.
Toda boa palavra ressoando, seguidamente, nas paredes da alma vai lhe alterando os padrões vibratórios. Desligar-se dos eletrônicos, desconectar-se de tudo que é fonte de ansiedade a partir de determinado horário do dia, favorecendo a preparação para um boa noite de sono. Se desejamos aproveitar melhor o momento do desligamento temporário da noite, quando o Espírito estará em atividade no mundo espiritual, preparemo-nos melhor, programando os sonhos com mais seriedade e compromisso renovador.
Por fim, são válidas ainda, para este momento de ansiedade, de insatisfação, de tormento, as lições do Cristo sobre o amor ao próximo, a solidariedade fraternal e a compaixão. Com elas, mudamos as energias em torno de nós, instalamos o otimismo renovador, sintonizamos com Espíritos que nos renovam as forças e nos resgatam das armadilhas dos pensamentos ansiosos sob amparo “Homem Integral”, pelo Espírito Joanna de Ângelis. - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 18.8.2022. – Em mensagens da jornada da vida.
Do Amigo Fraterno de sempre. - Jaime Facioli -